17 17UTC Maio 17UTC 2011
Eu estava a caminhar e a olhar para os meus passos, passos metafóricos, aqueles que dás mas não vês (mais ou menos como o ódio que corrói) e parei. Doiam-me as pernas por isso parei. Agora? Agora estou aqui a escrever porque não quis caminhar.
Já imaginaste se lhe tivesse pegado na mão e a tivesse beijado, e se voltasse atrás e tudo voltasse a ser sem as dúvidas e sem o que me atormenta. E se..
Ela usava um vestido comprido que lhe tapava as pernas, reparei no cabelo dourado que se enleava numa trança e se fazia de tipido por de trás do pescoço. E eu contemplava- a fingindo-me de indiferente quando já aprendera a amá-la de todas as formas possiveis.
Por isso parei, parei e amarrei os meus impulsos e as minhas tristezas e fantasias, aprendi a desaprender-me de amá-la e a ser o homem que não chora mas se verga à cobardia de não querer o que na verdade quer.
Ela chama-se Lili e eu, aqui, venero-lhe cada pedaço de ser sem que ela conheça as minhas fés, os meus desejos e o meu maior tormento que se chama solidão.
Agora caminho, enfim, mas de volta para o lugar que mais sozinho me deixa no meio do que é meu e a mais ninguém pertence. vou escrever o nome dela nos meus cadernos de desenho e escondê-los, vou apagá-los com um wisky e um charuto e hoje assim, na companhia da minha poltrona serei menos homem pois chorarei sozinho, vergado à coberdia de desaprender o amor.
p.s. descobre-me… tenta, vem ter comigo , corre… rasg- te ferete, sê minha e eu que assim seja teu , tal como queira o destino, o amor ou o odio-
que nos queiramos como se querem os homens e as mulheres, seremos assim um, e dois nao mais , para assim nao mais sozinho me deixar na poltrona escrevendo o teu nome, desejando te. Descobre-me.