pequenas batalhas , grandes discursos
8 08UTC Janeiro 08UTC 2011
o casaco rasgou-se, o homem na sua pequenez absurda caiu. juro que é verdade. Já não tinha nada que o cobrisse, nada que fizesse dele gente. a mulher acolheu-o nos braços repletos de amor e ele chorou como gente sem gente ser. Havia perdido, muito mais do que perder-se. havia simplesmente perdido quem era, quem foi e quem viria a ser. Não estava só, mas pensava estar.
Nunca te sentiste assim? Terrivelmente perdido, derrotado e arrebatado. E surge alguém que te ampara a queda, que te limpa as feridas e te beija o rosto ensanguentado. Porém estás mais magoado que carente e feres quem te sara. Não agradeces e maltratas.
Esse homem, o que caiu, está agora em pé. Está agora em pé à sua velha casa de madeira, onde já ninguém o visita e o amor morreu. Matou tudo com a sua mágoa, com a sua dor. Matou a mulher que descansa agora alheia do sofrimento que outrora limpara. Agora é apenas um homem que se perdeu sem o amor que o amparara. Sem colo onde lhe caiam as lágrimas.
Agora sou eu que olho para trás e te peço desculpa, agora és tu que lês e pensas em desculpas a quem as devas pedir, e á quem pedes desculpa que pensa também em alguém a quem as pedir. Porque no fundo somos todos não gente que maltratamos os que o são.